Weby shortcut
topo2
nota de repúdio

NOTA DE REPÚDIO - Caso Mayara

NOTA DE REPÚDIO

 

Núcleo de Estudos e Pesquisas em Direitos Humanos - NDH - UFG

Núcleo de Estudos sobre Criminalidade e Violência- NECRIVI - UFG

 Núcleo de Estudos sobre o Trabalho – NEST - UFG

Observatório Goiano de DH – OGDH

Ser-Tão – Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade UFG

 

O brutal assassinato da jovem musicista Mayara Amaral, graduada na UFMS e mestra em música pela UFG, professora e arte educadora, choca tanto por sua crueldade, quanto por seus desdobramentos. Mayara foi espancada, violada sexualmente, assassinada a marteladas e carbonizada, após ter sido atraída por um homem, também musicista, a quem Mayara conhecia e em quem confiava. Não bastasse a hediondez do crime, o tratamento dado pela imprensa foi também impiedoso. A especulação criada em torno da relação entre a vítima e seu algoz e, também, a voz dada aos assassinos (tudo indica que em número de três homens) que pintaram uma cena de modo a tornar a vítima cúmplice da barbaridade que lhe tirou a vida, suscitam algumas questões em um Brasil que mata 13 mulheres por dia, de acordo com dados do Mapa da Violência. O inquérito policial aponta para latrocínio, crime contra o patrimônio que, por ser agravado pelo resultado morte e considerado hediondo, prevê pena mínima de 20 anos. Há um lado de nós que, a despeito de questões outras, quer ver os assassinos exemplarmente punidos e essa pode ser uma estratégia. Mas há um outro lado que extrapola as questões práticas e que coloca em evidência o quanto o feminicídio – homicídio de uma mulher praticado contra ela pelo fato de ser mulher – é desprestigiado sob o ponto de vista da punição em relação ao latrocínio, crime contra o patrimônio com resultado morte. E, ainda, o quanto no Brasil, país machista, patriarcal que subjuga mulheres nas esferas pública e privada, é ainda difícil caracterizar o feminicídio , embora, como dito, sejam assassinadas 13 mulheres por dia. Por último, o quanto a imprensa é leviana, ao ponto de, mesmo diante de uma morte em que há requintes de crueldade e impiedade ocupar-se em suscitar temas relativos ao comportamento sexual da vítima.

A musicalidade com a qual Mayara encantava aos que a conheciam está em silêncio, mas não podem ficar em silêncio aqueles que repudiam a violência contra mulheres, seja física ou escrita, material ou simbólica e, por isso, assinamos essa nota de repúdio.

Listar Todas Voltar